Não Custa ter critério no Bolsa Família

Por: Não Custa






A cada roda de conversa que o assunto chega no Bolsa Família, as histórias de pessoas que pararam de trabalhar por conta deste “auxílio” do governo é inesgotável.

Eu tenho a minha história: Um dia minha empregada, que ganhava R$ 600,00 por mês para trabalhar 3 dias da semana + VT + VR de R$ 10,00 por dia, e registrada, pediu as contas alegando que, como ela tinha 4 filhos, ela ganhava uns R$ 500,00 de Bolsa Família e isto já estava bom!

Perguntei: mas ganhando um salário você perderia a Bolsa? Afinal, seria um complemento de renda! E ela disse: Não perde não, mas prá que trabalhar se R$ 500,00 tá bom?

Outras histórias são muito semelhantes: domésticas que preferem ficar em casa, porteiros que ganham mais com os auxílios do que com salário etc. Cada amigo, cada pessoa tem uma história diferente para contar.

Particularmente não sou contra o Bolsa Família, pois de fato existem muitas famílias e pessoas que realmente precisam, em especial na região do sertão do nordeste e no norte. O grande problema não está na bolsa, mas na falta de critério para aplicá-la. Basicamente, basta ser pobre, ter filho que o dinheiro cai na conta!

Só o governo não vê (ou melhor, finge que não vê) que o Bolsa Família está efetivamente sendo bem aplicado para uns 10% que precisam e criando uma legião de vagabundos com os outros 90%.

Quando o FHC criou o Bolsa Escola, principal precursora do Bolsa Família, o objetivo era retirar as crianças do trabalho infantil e colocá-las nas escolas. Quando uma criança tinha presença em mais de 80% das aulas, a família ganhava o incentivo. Com isto, a criança estudava e os pais não ficaram sem a renda que o trabalho desta criança gerava. Com isto, no governo FHC o trabalho infantil quase zerou no Brasil. Porém, o Lula gostou tanto da idéia e viu que ali estava uma grande arma para as urnas, que resolveu tirar a obrigatoriedade da presença da criança na escola e abriu para todos os lugares do Brasil, inclusive em áreas muito desenvolvidas como as grandes capitais do Brasil.

O resultado foi um aumento do trabalho infantil, pois com o dinheiro vindo “de qualquer jeito” os pais ficavam com o dinheiro e colocavam a criança prá trabalhar mesmo assim, apenas somando a renda.

Para conseguir competir nas eleições, José Serra teve de prometer aumentar o Bolsa Família, em abrangência e em valor, mas mesmo assim não conseguiu. Isto mostra que até a direita está se vendendo ao assistencialismo pois já percebeu que só assim conseguirá competir de igual prá igual.

A pergunta é: Quem vai ter peito, coragem de chegar nas eleições e dizer: Vou cortar o Bolsa Família e deixar apenas para quem realmente precisa!

O caminho foi aberto e infelizmente é um caminho sem volta, principalmente porque temos uma Classe Média de Merda, um bando de frouxo que só sabe reclamar em rodinhas sociais mas não percebem que o que realmente move a economia é a classe média, e que se ela se mexer, pode reverter esta situação.

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Comentário para “Não Custa ter critério no Bolsa Família”

  1. Daniel disse:

    Eu não vejo justificativa no Bolsa-Família, nem mesmo no Nordestão. O que o sertanejo nordestino precisa não é esmola, é assistência técnica agropecuária e programas de irrigação decentes para que consiga produzir gêneros alimentícios localmente, diminuindo o impacto dos gastos com transporte de mercadorias no preço final dos produtos. E nas áreas urbanas, com uma consequente redução do êxodo rural, quem fica choramingando e reclamando do desemprego teria menos concorrentes na procura por uma vaga de trabalho… Mas como eleição é comércio e a mercadoria mais valiosa é o voto, fica tudo bagunçado do jeito que está, e a classe média pagando a conta junto com as indústrias que sofrem com uma carga tributária absurda e acabam tendo dificuldade em encontrar mão-de-obra…

    A propósito: antes que qualquer ignorante diga que eu tenho preconceito contra o Nordeste, isso não procede, eu até já fui no interior de Pernambuco a uns 8 anos atrás.

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